sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
sábado, 9 de fevereiro de 2008
A guerra do Contestado


Em pouco tempo João Maria já reunia cerca de 2 mil seguidores. Defendia o fim dos tempos, pregava que o comércio era insano e que S. Sebastião voltaria para reinar na Terra. Dizia ainda que tinha sido nomeado por Deus, para ser o fundador da "Monarquia Celeste" construindo seu primeiro "quadro santo" em Curitibanos (SC), este cercava com quatro cruzes de madeira uma capela simbólica em seu centro.
Limitados pelos rios Uruguai, Iguaçu e do Peixe, e pela fronteira com a Argentina, os jagunços focaram todas as forças que ainda restavam na companhia e auxílio indispensável de João Maria que apontava Deus como guia. Venciam com maior facilidade, aproveitavam as vantagens e oportunidades, driblando as dificuldades.
Em outubro de 1912, uma tropa com cerca de 400 homens e liderada pelo capitão João Gualberto, atocou o "quadro santo" de Irani (SC) onde se refugiavam os seguidores de João Maria e que fora contruído alguns anos após o de Curitibanos. Nesse ataque, um dos primeiros a serem mortos foi o próprio monge, sendo esta a primeira e a última batalha que participaria. Além do monge morreram também Guadalberto e outros 13 soldados, os demais fugiram deixando para trás as armas e munições que carregavam.
A morte inesperada de João Maria provocou um certo abalo entre os rebeldes, mas que foi solucionada após o seguimento das ordens que o monge havia deixado para tal situação. Em uma das reuniões de que promovera, João Maria explicou alguns procedimentos que deveriam ser tomados caso ele viesse a morrer, que seria a de enterrarem o seu corpo com a cabeça voltada para o nascer do sol, com uma pedra maior indicando a direção acompanhada de uma cruz, e com um círculo formado por pedras menores ao redor do corpo. Segundo ele, se fizessem isso do jeito como ele ordenara alguns dias após ele retornaria à vida e retomaria o posto de líder.
Porém, não foi exatamente o que aconteceu. Houveram relatos de que uma garotinha teria visto João Maria enquanto brincava próximo ao lugar onde ele tinha sido enterrado. E que ele ainda teria dito à ela que os jagunços não poderiam abandonar a guerra por causa de sua morte, e que um acordo entre os dois lados estava por vir. Mesmo sem muitos crerem nas afirmação da garotinha, estratégias para novos confrontos foram estudadas e postas em prática.
Depois da ação da polícia de raspar a cabeça de alguns jagunços, os demais também rasparam e passaram a se chamar de "pelados", sendo os "peludos" os combatentes do governo, ou como eles constumavam dizer, os combatentes da Monarquia Celestial.
A revolta se estendeu por mais alguns anos até que o governo decidiu ceder a pressão dos jagunços, e reuniundo cerca de 20 mil na praça da cidade de Irani, declarou o encerramento da construção da estrada de ferro. O acordo de paz foi assinado no dia 12 de outubro de 1916, mediante a presença dos governadores Filipe Schimidt (de Santa Catarina) e Afonso Camargo (do Paraná), no local onde logo depois seria fundada a cidade de Concórdia (SC), com seu nome homenageando o acordo de paz entre os dois lados da guerra.

Hoje estão disponíveis para visitação os museus do Contestado, sendo um localizado em Irani e outro em Caçador (SC). Além do museu, em Irani também existe o 'Cemitério do Contestado', reconstruído próximo ao museu, o marco simbólico da guerra (foto a cima) e a área onde ocorreu a batalha que provocou a morte do monge. Reside em Irani também aquele que julgamos a maior celebridade do contestado, o professor e historiador que dedicou toda a sua vida para descobrir o que de fato provocou a guerra, e que defende com unhas e dentes o reais heróis da história, os jagunços.
Saudações a imponente figura de Vicente Telles!